sábado, 27 de junho de 2009

A Dualidade do Simbolismo


Um símbolo contém uma verdade e uma inverdade, indestrinçáveis para o sentimento. Se o tomarmos tal como é e o configurarmos através dos sentidos e à imagem da realidade, nascem daí o sonho e a arte; mas entre estes e a vida real e plena ergue-se uma parede de vidro. Se o apreendermos com a razão e separarmos o que não coincide do que coincide perfeitamente, nascem daí a verdade e o conhecimento, mas arruinamos o sentimento. À semelhança daquelas estirpes de bactérias que dividem em duas partes a matéria orgânica, a espécie humana fragmenta em duas a condição vital primordial do símbolo: a matéria sólida da realidade e da verdade, e a atmosfera vítrea da intuição, da fé e do artefacto. Parece não haver uma terceira possibilidade; mas quantas vezes algo de incerto acaba por ser desejado, se não metermos muito a reflexão no caso!


Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades'


Agradecimento ao Site: http://www.citador.pt/

2 comentários:

  1. e obrigada pela visita, gostei desse texto a vida pode ser muito mais do que vemos ou sentimos...
    bjos

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  2. Um texto que dá que pensar.........

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