domingo, 4 de outubro de 2009

Esta manhã encontrei o teu nome

Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele.
E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.



No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola;
e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida
- como um peixe respira
na rede mais exausta.
Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes:
tudo o que vem de ti
é um poema.
Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem.
Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome,
o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras,
a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.



Maria do Rosário Pedreira



Agradecimento ao Site: http://www.astormentas.com/



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