domingo, 8 de novembro de 2009

Soneto do amor difícil


A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desejá-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto não é mais que uma promessa...

Mas se na praia a onda se espedaça,
há logo nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça.

Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe
de súbito surgido à flor dos limos.

E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu.


David Mourão-Ferreira



Agradecimento devido ao site: http://users.isr.ist.utl.pt/

Um comentário:

  1. Oi Menino lindo!

    O Blog Mosaicos do Sul oferece um mimo para seus amigos e seguidores! Passe lá e pegue o seu!

    Abraço e boa semana,

    Claudia

    ResponderExcluir

Deixe aquí o seu comentário