sexta-feira, 28 de maio de 2010

Soneto de Bocage


Poeta de Setúbal ou do Mundo...?!...


Lá de Túbal(1) no empório celebrado,
Em sanguíneo carácter foi marcado
Pelos Destinos meu primeiro instante.

Aos dois lustros(2) a morte devorante
Me roubou, terna mãe, teu doce agrado;
Segui Marte depois, e em fim meu fado
Dos irmãos e do pai me pôs distante.


Vagando a curva terra, o mar profundo,
Longe da pátria, longe da ventura,
Minhas faces com lágrimas inundo.


E enquanto insana multidão procura
Essas quimeras, esses bens do mundo,
Suspiro pela paz da sepultura.



1 -> Setúbal
2 -> aos 10 anos




Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu em Setúbal no ano de 1765. Era filho de um advogado e de uma senhora de origem normanda. Ficou orfão de mãe aos dez anos. Seguiu a carreira das armas e deixou a pátria em 1786, estando afastado durante quatro anos. Antes disso, apaixona-se por Gertrudes o que lhe faz mudar o rumo à vida. Esteve em Goa, Damão e Macau. Regressa a Portugal em 1790, agora com 25 anos. Uma terrível desilusão o esperava: Gertudres Homem de Noronha, a Gertrúria dos seus versos, estava casada com Gil Francisco, o irmão mais velho do poeta. Inicia uma vida de boémia pelos botequins e cafés lisboetas, fumando e bebendo, desperdiçando a jorros o enorme talento que o animava.


Foi um dos maiores sonetistas portugueses. Os seus inimigos acusam-no, em 1797, de ser um "herético perigoso e dissoluto de costumes" por causa do seu poema Pavorosa ilusão da Eternidade. É denunciado à Inquisição e encarcerado no Limoeiro como autor de "papéis sediciosos" contra a segurança do estado. Sai da prisão bastante abalado e morre em Lisboa, na miséria e com apenas 40 anos de idade.


Agradecimento ao site: http://www.antigo.turnodanoite.com/

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