quarta-feira, 15 de junho de 2011

Plano - Poesia de Nuno Júdice



Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago.
No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca.
Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa;
e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos.
Volto, então, à primeira
hipótese.
O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.








Posted by 1lindomenino Dated15jun2011

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