POR UM PORTUGAL DIFERENTE

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Estrela - DestaquesNinguém pode ser escravo de sua identidade; quando surge uma possibilidade de mudança é preciso mudar. (Elliot Gould)

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NÃO HÁ ACORDO...!!!...

NÃO HÁ ACORDO...!!!...
... Português há só UM...!!!

TRADUÇÃO/TRANSLATE/TRADUCION

SEM IMITAÇÕES...

ACREDITE...

"Nunca faça graça de graça. Você é humorista, não político."

A Hora em Poá (BRASIL)

"Nada descreve melhor o caráter dos homens do que aquilo que eles acham ridículo."

VELHO PROVÉRBIO PORTUGUÊS

"Dois olhos vêem mais do que um só."
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OvEr ThE RaInBoW

1lindoMENINO ...


Verdade, Verdadinha...!!!

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1lindomenino

Menininhas e inhos venham a mim...

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PORTUGAL é "isto"... e MUITO MAIS...!!!

António GEDEÃO


Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu.A.GEDEÃO

SEJA ASSIM... COMO EU!

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Mais Um(a)...!!! OBRIGADO...!!!

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terça-feira, 26 de julho de 2011

O Amolecimento pela Sociedade de Consumo





Nos países subdesenvolvidos, a arte (literatura, pintura, escultura) entra quase sempre em conflito com as classes possidentes, com o poder instituído, com as normas de vida estabelecidas. Em revolta aberta, o artista, originário por via de regra da média e da pequena burguesia ou mais raramente das classes proletárias, contesta o statu quo, propõe soluções revolucionárias ou, quando estas não podem sequer divisar-se, limita-se a derruir (ou a tentar fazê-lo pela crítica, violenta ou irónica) o baluarte dos preconceitos, das defesas que os beneficiários do sistema de produção ergueram contra as aspirações da maioria. Nas sociedades industriais mais adiantadas, o artista pode permanecer numa atitude idêntica de inconformismo; porém, os resultados da sua actividade de criação e reflexão tornam-se matéria vendável e, nalguns casos, matéria integrável.

O consumo do objecto artístico, seja ele o livro, o quadro ou o disco, quando feito sob uma tutela de opinião, que os meios de comunicação de massa, em escala larguíssima , exercem, torna-se, senão totalmente inócuo, pelo menos parcialmente esvaziado do seu conteúdo crítico. Despotencializa-se. Amolece. É o que se verifica, por exemplo, em boa parte, nos Estados Unidos. A ideologia repressiva da liberdade no mundo capitalista monopolista torna-se tanto mais perigosa quanto aborve, ou procura absorver, as próprias formas políticas de exercício das liberdades ditas essenciais, quando aceita no seu seio o escritor, acusador iconoclasta por natureza, recuperando-o em banho asséptico, limando-lhe os dentes. Mas, entendamo-nos, nem sempre o artista se dá conta dessa operação, até porque nem sempre, de facto, é ele próprio o paciente da operação que lhe reduz a perigosidade, senão que o é, sim, a sua obra, a qual, pelo poder diminutivo de uma dada comercialização, se rectifica.

Urbano Tavares Rodrigues, in "Ensaios de Escreviver"

Fonte: citador.pt





Posted by 1lindomenino Dated26jul2011

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Oito meses



Tantos dias ao lado dela que perdera o referencial. Não sei como. Não sei quando. Como os russos na estação espacial que não volta pra casa. Não se sabe as horas. Nem onde. Nem porque. Mulher terrível aquela. Disforme. É como poderia imaginá-la caso longe dela estivesse: alguém que não tem forma, não tem hábitos, não tem defeitos nem qualidades.

"Querido, as compras”.

E o querido afastava-se de nós, ia o idiota buscar as sacas repletas de futilidades. O arroz era de caixinha. O feijão de lata. Verduras pré-cozidas. As frutas, cristalizadas. Nada naturalmente natural. Como se visto do fundo de uma sala em que o ar viciado há muito não permitia a inspiração completa, eu me encontrava. Meia inspiração. Dádiva para os que se contentam com pouco oxigênio. Eu não. Lente distante do foco habitual, via aquela mulher sem limites definidos com desconfiança. Passei a me questionar o porquê de estar tão junto dela, visto que não conseguia senti-Ia. Eu não me comunicava. Ela sempre fora incomunicável.

Ruídos de crianças não havia. Menos mal. Ela, indiferente. Instinto materno frustrado? Necessidade de auto-afirmação? Ela secamente me olhava, por poucos minutos. Não dispensava mais tanta atenção a mim. Não me pergunte desde quando, já disse que estava numa espécie de estação espacial.

"Vou sair", gritou batendo a porta da sala. Ou teria sido o vento?

Por que avisar sobre algo que não podia impedir nem aprovar?

"Olha só", disse ao telefone antes de sair, "não sei se poderei estar aí no horário. Trânsito engarrafado, sabe como é..."

Não ouvi mais nada. Que horário? Era para mim uma existência atemporal. Cheiro de maçãs. Era o que eu percebia, maçãs envelhecidas, persistindo com teimosia inconveniente.

Ela voltou. O apartamento de cortinas cerradas não permitia saber se era dia, fim de tarde, noitinha. Pensei em dar uma bronca daquelas, coisa de diretor de colégio para impressionar criança malcriada. Desisti. Não estou nem aí para ela. Pra toda a cidade. Pro mundo inteiro. Vermes corrosivos, acham que me incomodam.

Ela surgiu após longo banho. Parecia limpar-se da imundice das ruas, da imundice que fizera. Cheiro de maçã com creme hidratante. Este fresco, aquele irritante, levemente adocicado. Chegou perto, olhou-me firme nos olhos:

“Você não tem jeito mesmo!"

Beijou-me a testa, perguntou se estava tudo bem. Não respondi. Arrastei-me até a varanda, não teria condições de saltar: a grade, uma altura descomunal. Trouxe-me leite. Não sabia o porquê daquele afastamento, agora ofertava-me um leite estranho que não me servia. Fiquei imóvel, os olhos fixos no líquido branco sem graça. A Lagoa lá embaixo. Luzes poderosas coloriam a orla artificial, eu olhando, não entendendo. Descobrira algumas coisas, outras, apesar de bem à minha frente, permaneciam obscuras. Ela atendeu ao telefone:

“Ele está bem, um pouco quieto", disse quase num sussurro.

Pensei que ela era tudo e ao mesmo tempo um imenso abismo. Amava-a sem saber exatamente o que era amor, uma profundidade de sentimento que não me cabia. Ainda ao telefone:

"Fico preocupada de deixá-lo assim, algumas horas sozinho. Às vezes olha-me com estranheza, às vezes como se compreendesse todos os mistérios do universo. Nem parece ter apenas oito meses."


Autor: Moacyr Moreira



Moacyr Vergara de Godoy Moreira nasceu em 1972, em São Paulo (SP). Médico pela Escola Paulista de Medicina, é professor de redação e inglês. Cursa, atualmente, mestrado em Psicologia. Escreve para jornais e participa de antologias. É autor dos livros “República das Bicicletas” e “O Eu profundo”, ainda não publicados e de “Lâmina do Tempo e outras histórias do amor”, Ateliê Editorial, São Paulo (SP), 2002, pág. 29, de onde extraímos o texto ora apresentado.


Agradecimento ao Moacyr Moreira e ao site: http://www.releituras.com/

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Despedido por soltar muitos gases (não tem NADA a ver com o CARNAVAL, certo?!...)


O inglês admite o problema de flatulência, mas culpa os antidepressivos pela situação



Daniel Cambridge foi dispensado do emprego na rede de livrarias Waterstone porque os seus colegas fizeram 35 reclamações formais sobre a constante flatulência do funcionário.

«Recebi um telefonema da agência que me contratou a avisar-me que não deveria voltar ao trabalho porque soltava muitos gases», disse Cambridge.

«Explicaram-me que tinham recebido um e-mail da empresa a comunicar o meu despedimento por causa da flatulência», acrescentou.

Daniel Cambridge trabalhava no depósito da livraria Waterstone há dois anos e, mesmo depois de algumas semanas longe do emprego, considera surreal o sucedido.



Agradecimento ao site: http://www.tvi24.iol.pt/




Nota de 1lindomenino: ÓOO Daniel, diz lá: PEIDASTE VÁRIAS VEZES OU NÂO...?! Como sabes, não é das melhores coisas a gente estar a escolher um livro e ouvir um "silvo" flatulento (com cheiro...?!)... !!!

Vá, escolhe um emprego ao ar livre e "descarrega a tua fúria". Certo...?!...

Já agora: desde quando uma dezena de PEIDOS é motivo para notícia...?!

VÃO MAS É CAGAR...!!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fernão Capelo Gaivota

Amor. Alegria. Coragem. Comunhão com Deus. Liberdade. Segurança. Vontade. Compartilhar.

(Vidé Vídeo)

Nota de 1lindomenino: um filme que deixou profundas marcas em mim. A LIBERDADE aprende-se, também, com a visualização deste filme. Se puder, tente vê-lo e não vá atrás dessa idéia "que são coisas do passado"...!!! DEMOCRACIA e LIBERDADE, são e serão SEMPRE, VALORES SUBLIMES que você deve acarinhar...!!!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Quando é que a vida fica mais simples?


Quando me perguntam "quando é que a vida fica mais simples?”, eu respondo: não fica! Mas podemos aprender a lidar melhor com ela. Quando somos enviados ao planeta Terra, nós nos matriculamos na “escola da vida” para sempre – o que significa que enquanto estivermos respirando, a aula continua. Infelizmente, costumamos pensar que quando tivermos passado pela pré-escola, o primeiro grau, a puberdade... e começamos a trabalhar, a vida se tornará mais fácil.

Tolice. Mas ninguém nos avisou disso; não é de admirar que fiquemos frustrados. Aí, olhamos para os outros, que a distância, nos dão a impressão de estar passando maravilhosamente; outro engano, porque eles também têm lá os seus problemas... Todos nós enfrentamos desafios constantemente... Então, como conseguir não enlouquecer? Isso vai depender da maneira como você lida com a vida.

Pra começar, suba um degrau de cada vez; depois, nunca diga algo do tipo “não vou relaxar enquanto não...”. Relaxe e aproveite a vida enquanto ainda está no meio do caminho. Outra coisa: pergunte constantemente “o que estou aprendendo com isso?”. E lembre-se: ninguém jamais consegue arrumar a vida em compartimentos bem ordenados.

As pessoas vêem a felicidade como uma espécie de miragem distante, como se estivessem se arrastando no deserto e à frente houvesse uma placa dizendo FELICIDADE... Isso não existe! A felicidade acontece agora, onde você está. Ou então imagine isso logicamente. Alguém afirma: “não dá pra ser feliz agora porque o banheiro está sendo reformado; mas no mês que vem...”.

Só que, no mês seguinte, as crianças pegam uma gripe, a gata fica no cio, os parentes vêm passar uma temporada em casa... E aí, essa pessoa continua dizendo... “quem sabe no próximo mês".




Andrew Matthews, no livro "Siga seu coração"


Recebido via e-mail do Site: www.diabetenet.com.br

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

"Partimos. Vamos. Somos."


"... é a vontade dos homens



que segura as estrelas..."



José Saramago, in Memorial do Convento

domingo, 2 de agosto de 2009

FOME, SEDE E VONTADE DE LER

Os biólogos, cientistas, cientificistas - enfim, qualquer estudioso do corpo humano - não cansam de afirmar e reafirmar a perfeição do corpo humano. A mais completa máquina já criada. O complexo sistema de células, órgãos, substâncias que sintetizam a perfeição. Pois tratemos de discordar. O corpo necessita de combustíveis. Se precisamos de água, temos sede. De comida, temos fome. Nunca paramos de respirar. Por que nos falta uma necessidade de ler? Alias, não há sequer um nome pra isso. Simplesmente “a necessidade de ler”. Algo como a manutenção da intelectualidade, ou da saúde do cérebro. Ler. Ler como quem mata a sede. Como quem avança sobre um prato de comida. Um copo de água bem gelada e uma Clarice. Uma lasanha e um Machado. Para todos os dias, arroz, feijão e Allan Poe.


A falta de leitura deveria ser retratada em fotografia premiada pela National Geographic. Concorrentes do “Foto do ano de 2004”: O menino faminto da Etiópia, a baleia encalhada da Antártida e o Sem-livro do Brasil. Deveria estar estampado na cara do sujeito: “Sou subletrado”.

Não se justifica com a situação do nosso país. Não se trata aqui da falta de incentivo e de educação, já notória e discutida. Mas de atitude.

Os jovens - ah, sempre os jovens – não conseguem, ou não querem, enxergar o benefício da leitura. Qualquer leitura. E os jovens crescem, ou já cresceram, subletrados. Daí a pergunta: E se houvesse uma necessidade física? Penso que ainda há o que mudar na estrutura humana. Que tal essa dica? Hein! Na falta de uma terminologia melhor, fica a “fome de leitura”, ou a FOMURA. O menino grita: “Manhêêê, to com uma fomura danada”. E ela vem correndo com a Ruth Rocha que é pro menino parar de reclamar. O pai, no meio da noite, acorda com o choro do bebê. Dá a mamadeira, troca a fralda e lê o Ziraldo enquanto o neném não consegue sozinho. O casal de namorados vai sair a noite. Jantar, choppinho ou leitura? O rapaz mais afoito sugeriria um João Ubaldo. O divorciado um Nabokov. O mais esperto um Vinícius (sim, elas ainda adoram). E a combinação vinho, massa e Drummond? Irresistível.


O sonho enfim se concretizaria com o obeso-literato. Aquele que, de madrugada, assalta a estante. Acha que não faz mal um Parnasianismozinho durante as refeições. Vai ao médico, o letricionista, que lhe passa uma dieta a base de romance. Nada muito pesado. Depois das 20 horas, só Sidney Sheldon. Mas cai em tentação e é flagrado com “Crime e Castigo” nas mãos. A família se preocupa. Tornou-se um livrólatra. Só o L.A. poderá salvá-lo. Nas reuniões com o grupo de viciados em literatura, ele conta sua saga: “Bem, comecei aos 10 anos. Como todo mundo. Fadas, chapéus, narizes que cresciam. Depois eu parti pros livros menores. Mas quando você menos espera, já está devorando um Jorge Amado numa sentada só”. Um “ooh” ecoa na sala. Senhoras comentam entre si. “Tão novinho e tão letrado né!”
Bibliotecas lotadas. Um silêncio ensurdecedor. Filas enormes para entrar. É muita gente morrendo de fomura. Consegue uma mesa, pede o menu.

- Por favor, me vê duas Cecílias. E pro menino pode ser um Lobato, que ele adora!!

- Senhor! Nossas Cecílias acabaram.

- O quê? E o que você sugere?

- Nosso Eça é legítimo, senhor! E temos Camões


- É que os portugueses são caros né! E meu médico me proibiu Camões durante a semana.

- Algum Andrade?

- Não sei. Não sei. To indeciso ainda.

Depois de alguns minutos pensando e testando a paciência do rapaz que lhe servia...

- Ah, vou de Paulo Coelho mesmo que é só pra matar a fomura.


** ** ** ** ** ** ** ** **

Fabiano Cambota

Fabiano Cambota é líder e vocalista da Banda Pedra Letícia. É goiano (mas urbano), inteligente e divertido....

Pra quem quiser conhecer a banda:


sábado, 9 de maio de 2009

A Poesia de FERNANDO NAMORA



Onde ficava o mundo?


Só pinhais, matos, charnecas e milho


para a fome dos olhos.


Para lá da serra, o azul de outra serra e outra serra ainda.


E o mar? E a cidade? E os Rios?


Caminhos de pedra, sulcados, curtos e estreitos,


onde chiam carros de bois e há poças de chuva.


Onde ficava o mundo?


Nem a alma sabia julgar.


Mas vieram engenheiros e máquinas estranhas.


Em cada dia o povo abraçava outro povo.


E hoje a terra é livre e fácil como o céu das aves:


a estrada branca e menina é uma serpente ondulada


e dela nasce a sede da fuga como as águas dum rio.




Fernando Namora






Agradecimento ao Site: http://www.astormentas.com/


A moradora do quinhentos e três

Ela era miúda, clara e parecia exausta. Não era uma preguiça de se arrastar entre uma tarefa e outra, e sim a expressão do esgotamento de alguém que tem sempre um problema urgente a resolver. Os traços delicados se desfiguravam com as sobrancelhas erguidas. A própria existência das coisas tinha para ela uma gravidade aguda. Segurava as juntas dos dedos umas contra as outras. A voz lhe escapava ansiosa, formando parábolas de sons, altos e baixos, baixos e altos. As mãos permaneciam contraídas, repousadas por sobre o vestido comprido. Só poderia se chamar Marieta. Parecia uma senhora, mesmo sendo um pouco mais jovem do que eu. Ela tinha uns trinta e cinco anos, no máximo quarenta. A gravidez evidente, a pele lisa ao redor dos olhos e o cabelo loiro, sem fios brancos nem tintura destoavam dos suspiros abortados, dos móveis cor de mogno e das feições endurecidas.

A sala de sua casa evocava o consultório de um dentista, antes da consulta. Todos os objetos estavam livres de bactérias. Imaginei-a despendendo uma tarde inteira para decidir a posição da réplica de “As meninas”, do Renoir. Uma vez ali, o quadro permaneceria imóvel, condenado ao encaixe perfeito do prego e a ausência de pó. Havia duas almofadas por sofá e uma por poltrona, fazendo um contraponto de cores: almofada verde no sofá marrom, almofada bege na poltrona verde. Os guardanapos de crochê esticados nas mesas. Ainda se confeccionam peças desse tipo, lembrei. Toalhas feitas à mão existiam para mim apenas nas tardes da infância, sustentando a compoteira com a ambrosia da vovó. Na casa de Marieta, os copos brilhavam, dentro da cristaleira, em filas regulares. Um exército sem camuflagem.

Fui convidada a sentar. Tive receio de estragar alguma coisa. Fiquei constrangida com minha própria figura: as pernas longas, o jeans desbotado, as unhas por fazer, o leve odor de nicotina. Me senti acomodada em uma mesa para crianças de pré-escola. Eu era imensa para estar ali. Tenho uma sensação de desconforto quando converso com uma pessoa que fala de modo correto o português, usando todos os erres e esses, conjugando com naturalidade os verbos, jamais se permitindo errar uma concordância. Cada frase proferida com essa minha língua de todos os dias parece uma ofensa. Frente a Marieta, mesmo o meu gesto mais educado seria falta de tato. Ela me observava bem de perto, não lhe escapava nada.

Cruzei as botas de bico fino, joguei os cabelos mechados para trás e deixei que ela me julgasse. Nada falei. Escutei as suas tentativas de conter a cólera. Marieta é o tipo da mulher que fica irritada com sua própria fúria. Me diverti vendo suas faces ruborizadas ao comentar sobre os ruídos no sábado à noite. Suas mãos se descruzaram e massagearam a cervical. Ela afirmava que aquela não era a minha primeira “festinha”. Marieta estava certa de que eu entenderia sua reclamação. Dali a alguns meses, o nascimento do bebê. Ela apenas desejava que eu cumprisse o regulamento do condomínio. Nem quisera falar com o síndico para não me deixar desconfortável. Será que ela não percebia que nada poderia ser mais impróprio do que aquele convite para visitá-la, feito a olhos baixos no elevador?

Morava há cinco anos em cima de Marieta e as duas únicas festas que dera, foram catalogadas por ela. Me sabia inocente de suas acusações de má vizinhança. Fiquei lembrando das noites com o Afonso. Ela teria escutado nossas carências após duas ou três garrafas de vinho? Marieta com seu maridinho, que penteia os cabelos para trás com gel em excesso e diz “pois não” ao abrir a porta do prédio para mim, incomodados com as farras do piso superior, do apartamento daquela mulher meio solteira, meio atriz, meio deprimida, que sempre esquece de pegar o jornal de domingo.

Separadas por alguns metros de concreto, vivíamos em estados de matéria distintos, eu tão líquida, ela tão sólida. Eu escorria pelas paredes de seu apartamento. Nada de festas, eu disse, mesmo não sabendo se cumpriria a promessa. Já na porta, pronta para voltar ao meu mar revolto, passei a mão na barriga de Marieta. Perguntei o nome do bebê. Por um instante ela descansou. O rosto se descontraiu, ganhou as feições de alguém que chega em casa ao final do dia e tira os sapatos. Me senti composta da mesma água que ela. Meus dedos firmaram junto ao seu ventre. “Getúlio”, ela me disse. Nome de velho, eu pensei, ao me despedir.

Beatriz Abuchaim



Beatriz Abuchaim nasceu em Porto Alegre, em 1975. É psicóloga, especialista em psicologia nos processos educacionais e mestre em educação (todos os cursos pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Trabalha como psicoterapeuta em consultório particular, tendo feito formação em psicoterapia psicanalítica no Instituto Abuchaim, onde atualmente é professora e supervisora. Freqüentou as oficinas de criação literária de Charles Kiefer e de Luis Antonio de Assis Brasil. Participou das antologias de contos “Histórias de Quinta”, “Brevíssimos” (Editora Bestiário), “101 que contam” e “Oficina 36” (Nova Prova Editora). "Habitantes de corpos estranhos" (antologia de contos para adolescentes) é seu primeiro livro-solo, publicado em 2008, pela Editora Projeto.

Agradecimentos à Beatriz e ao Site: http://www.releituras.com/

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Choro! - A Poesia de José Gomes Ferreira

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
as crianças violadas
nos muros da noite
úmidos de carne lívida
onde as rosas se desgrenham
para os cabelos dos charcos.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
diante desta mulher que ri
com um sol de soluços na boca
— no exílio dos Rumos Decepados.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
este seqüestro de ir buscar cadáveres
ao peso dos poços
— onde já nem sequer há lodo
para as estrelas descerem
arrependidas de céu.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
a coragem do último sorriso
para o rosto bem-amado
naquela Noite dos Muros a erguerem-se nos olhos
com as mãos ainda à procura do eterno
na carne de despir,
suada de ilusão.

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro
todas as humilhações das mulheres de joelhos nos tapetes da súplica
todos os vagabundos caídos ao luar onde o sol para atirar camélias
todas as prostitutas esbofeteadas pelos esqueleto de repente dos espelhos
todas as horas-da-morte nos casebres em que as aranhas tecem vestidos para o sopro do
silêncio
todas as crianças com cães batidos no crispar das bocas sujas
de miséria...

Ninguém vê as minhas lágrimas, mas choro...

Mas não por mim, ouviram?
Eu não preciso de lágrimas!
Eu não quero lágrimas!

Levanto-me e proíbo as estrelas de fingir que choram por mim!

Deixem-me para aqui, seco,
senhor de insônias e de cardos,
neste òdio enternecido
de chorar em segredo pelos outros
à espera daquele Dia
em que o meu coração
estoire de amor a Terra
com as lágrimas públicas de pedra incendiada
a correrem-me nas faces
— num arrepio de Primavera
e de Catástrofe!


José Gomes Ferreira

Agradeço pelo poema ao Site:
http://www.astormentas.com/


quinta-feira, 7 de maio de 2009

Equilíbrio instável

A tia de Sandra demonstrava inexplicável apreço por mim. Visitávamos pouco Dona Juliana, poucos eram os motivos. Mas a viúva gostava muito de conversar comigo. Fechada para a maior parte das pessoas, olhava-me nos olhos e desandava a falar detalhes que nem sempre me interessavam sobre sua vida.

Doutor Almeida morreu assassinado num churrasco de família. Foi ao banheiro e de lá não saiu mais. Acusaram Valdir, o caseiro, que havia alguns dias vinha reclamando da maneira pouco respeitosa com que era tratado pelo patrão. Não conseguiram prendê-lo. Estava desaparecido desde então. Cheguei a conhecer Valdir. Sujeito calmo, fisionomia leve. Olhos expressivos e inocentes. Difícil crer que tivesse matado Doutor Almeida; ainda mais da maneira como tinha matado. Cravou-lhe um ancinho no crânio. Um episódio estranhíssimo, que a viúva fazia questão de contar em detalhes. Mas sempre com um sorriso condescendente e uns trejeitos de corpo que pareciam puxar seus seios para fora do decote. Mesmo com mais de quarenta, era convidativa a figura de Juliana, como ela insistia que eu a chamasse. Sem o Dona, que ela não era dona de ninguém. E ninguém é meu dono também não, viu? Aquele sorriso...

Uma vida amorosa intrigante e pouco convencional, tinham ela e o marido. Técnicas e modalidades de coito me foram apresentadas em nossas conversas. Chorosa, reclamava da falta que lhe fazia a presença de Astolfo – confessava-se a mim naquelas tardes em que Sandra passava estudando com Marina, as duas trancadas no quarto. De um momento para outro, passei a freqüentador assíduo da casa. Quando chegávamos, Sandra me beijava suavemente na boca e trancava-se com a prima; Juliana separava uma dose de uísque, que eu sorvia ansiosamente, e ela reabastecia quantas vezes eu quisesse. Era nosso segredo, eu muito novo, ela sorrindo condescendente. Bebíamos juntos e, à medida que a conversa evoluía, caíamos sempre na armadilha do assunto “sexo”. As palavras surgiam e falávamos abertamente. Ela admitiu certa vez ter ficado lubrificada após ouvir um episódio vivido por mim.

Fazia um ano e, talvez pelo peculiar da data, o episódio da morte remexia-lhe tanto naquele dia. Juliana contou ter tido relações com o morto em sonho. Rimos daquilo. O sonho se repetiu. Ela entrava em detalhes quanto aos trabalhos de línguas e mãos, além de quase descambar para o linguajar técnico quando se detinha aos genitais, de tão explícita. Experiências gradativamente mais freqüentes e intensas.

Eu insistia que eram apenas sonhos marcantes pela peculiaridade do momento que ela atravessava e pela falta que tais encontros lhe faziam. Ela insistia que não, a gente trepou, dizia, vulgar somente comigo. Era recatadíssima. Não comigo. Certo dia me chamou a seu quarto e mostrou – com aquele sorriso no rosto – o lençol manchado de sangue. Não soube o que argumentar; a prova, vermelha, ratificava o que ela garantia ter acontecido. Foi ele. O Astolfo.

Tanto ela quanto eu sabíamos que aquele equilíbrio instável não duraria por tanto tempo. Foi na cozinha, onde sempre conversávamos. O armário fez tanto barulho que as meninas chegaram a diminuir o som do quarto para tentar identificar a origem daquela chacoalhação. Nem assim, Dona Juliana parou de mexer, pois sentiu que em segundos eu explodiria entre suas coxas ainda tão rígidas. Rosto ao mesmo tempo tranqüilo e excitado, não se intimidou quando a porta do quarto da filha foi aberta no fim do corredor, e passos se aproximavam. Fiquei nervoso e momentaneamente senti que minha energia poderia recuar em vez de extravasar, mas o rosto dela parecia me convencer de que naquele momento só havia eu, ela e nossos fluidos. A filha já vinha chegando perto quando minhas pernas quase falharam, o armário fez um barulho maior ainda, e durante o transe pude senti-la me segurando para que não fosse desperdiçada uma gota. Ajeitou mais ou menos o leve vestido, antes que Marina apontasse na entrada da cozinha o rosto entediado, perguntando que barulho era aquele. A mãe, sorrindo e com as pernas ainda escorrendo, alegou que estávamos procurando algo sob o armário. A filha mascou duas vezes o chiclete, olhou para mim, sorriu com o lado da boca e voltou lá para dentro. Juliana era segura, e viveríamos uma história linda, quente, escura e úmida. Éramos um deslizar infinito de peles.

Em poucos meses, veio a notícia: estava grávida. Preocupei-me, mas ela disse que eu não me incomodasse, o filho não era meu. De súbito, minha vontade foi de voar em seu pescoço. Traidora sem caráter. Contive o impulso, pois o que Sandra iria pensar? De mais a mais, não cabia sentimento de posse em nossa história, tão desprovida de quaisquer limitações ou barreiras. Trepávamos e era a isso que se resumia. Mas a placidez com que ela me contou agrediu-me profundamente. Pudor, talvez fosse o que lhe faltasse. Não exigíamos nada um do outro, mas há limites a serem respeitados até no mais livre dos amores.

Quem? Quem? Eu insistia. Ela bebeu o uísque calmamente, ajeitou a saia. Só então revelou. O pai era o falecido. Como é que é? Ela tinha certeza. Sentia; essas coisas que mulher diz. Dá para saber. Mulher sempre sabe. Era o finado médico, o autor da proeza. Garantiu. Os encontros noturnos entre os dois continuavam, ela não fazia segredo, e eu nada podia fazer. Não tinha como mantê-la acordada permanentemente. Quase não dormia de madrugada imaginando-a com ele, sem a culpa, sem as limitações do mundo real a prender-lhes ao possível, às barreiras físicas e seu confinamento. Para mim, a cozinha. Para ele, todas as dimensões. Não era justo. E agora essa. Desejei que o filho fosse meu, que nascesse com a minha cara. Minha cabeça girava.

Saí da cozinha às pressas, fui chamar Sandra para irmos embora. Não bati na porta antes de entrar bruscamente no quarto e concluí que não era para estudar que as duas se trancavam.

* * *

Hoje, não sinto raiva ou indignação. Minha maior angústia é acreditar ter um filho cujo rosto nunca vi. Esses anos talvez tenham sido suficientes para que Sandra tenha esquecido aquele infeliz ocorrido, como eu esqueci. Tudo me parece tão menor do que minha agonia que não consigo ver crime em duas moças se descobrindo. Não me sinto traído, nem sinto tê-la traído com Juliana. Nosso namoro inocente foi a parte menos relevante de tudo aquilo.

Decidi voltar à casa da mulher de quem fugi com tantas perguntas na cabeça, para vê-la – e à criança. Minha curiosidade me consome. Talvez seja a ânsia de conhecer meu filho ou de ver com meus olhos, caso a versão dela prevaleça, a materialização de um encontro tão insólito. Nego-me a concordar com as idéias absurdas da viúva quanto a seus encontros com Astolfo. A solidão pode destruir a mais sã das consciências. Vai ver é isso. O filho tem que ser meu. Ainda assim, algo inconsciente não me deixa descartar por completo a possibilidade estapafúrdia de o finado tê-la de fato engravidado em um sonho. Não sei, acho que o que mais quero mesmo é comer novamente aquela mulher.

Toco a campainha. Ela abre. Surpresa, dá um gritinho seguido de um sorriso quase aliviado. Está idêntica a antes. Veste um robe japonês, que havia estreado comigo em nosso último encontro. Pede que eu entre. Serve um uísque no copo em que eu gostava de beber. Duas pedras de gelo e umas gotinhas de água tônica, como ela dizia. Está sozinha em casa. O filho dorme no quarto. Não comenta nada além disso sobre o garoto. Sem me repreender pela longa ausência, pergunta se eu me lembro do robe. Sorrio e digo que sim. Ela me beija e vamos para a cama.

No dia seguinte, acordo com uma voz de criança chamando e batendo na porta. Um calafrio me desce pela coluna e divide-se pelas pernas até as unhas dos pés.

Ela levanta, corre para a porta e a abre. O moleque entra.

O rosto do garoto me é familiar. Em pouco tempo, lembro. É a cara do Valdir, o caseiro.


André Tartarini



André Tartarini (1975), é dentista e mora no Rio de Janeiro. Procura editora para publicar seu primeiro original de contos, "Rabo preso", do qual o texto apresentado faz parte. Diz escrever, antes de tudo, por prazer e teimosia. Participou das duas primeiras oficinas para novos autores da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), ministradas, respectivamente, por MIlton Hatoum (2004) e Raimundo Carrero (2005). É admirador dos filmes de Hitchcock e dos livros de, por exemplo, Dostoievski, Sergio Sant'anna, Stanislaw Ponte Preta, Rubem Braga e Antonio Carlos Viana.

Agradecimentos ao André e ao Site: http://www.releituras.com/

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dormindo no ponto

Especialistas recomendam conexão entre turno escolar e relógio biológico de estudantes


Ficar até altas horas na internet e dormir só de madrugada. No dia seguinte, briga para sair da cama e baixo rendimento na escola. O problema, enfrentado diariamente por grande número de pais e alunos, é mote do livro O sono na sala de aula – tempo escolar e tempo biológico. Os autores, o neurocientista Fernando Louzada e o neurofisiologista Luiz Menna-Barreto, produziram a obra pensando em conscientizar educadores sobre a importância do sono na vida do estudante.

Mas o livro acaba não se destinando apenas ao público-alvo originalmente pensado e atrai também o interesse de pais e alunos. “A escola deve respeitar o relógio biológico dos estudantes, sem impor regras”, salienta Louzada, do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Paraná. A propósito, os autores destacam o dever das instituições de ensino de zelar pelo sono de crianças e adolescentes e trazem sugestões de como monitorar a qualidade do sono dos alunos.

O mais novo título de Louzada e Menna-Barreto, que trabalham juntos há quinze anos, é um desdobramento de outra obra deles, Relógios biológicos e aprendizagem, lançada em 2000. O sumário de O sono na sala de aula apresenta três tópicos. Ao final da leitura, porém, percebe-se que o livro tem de fato duas partes. A primeira apresenta conceitos gerais relacionados com o tema sono; depois eles são aplicados no cotidiano escolar. A abordagem da questão é feita de forma simples (como propõe a coleção ‘Ciência no Bolso’, da editora carioca Vieira&Lent, na qual o trabalho foi lançado), mas não deixa de abranger os pontos essenciais. De posse dessas informações, o educador está apto a ajudar seus alunos a melhorar o rendimento na escola.

Os ‘sistemas de temporização’, ou relógios biológicos, como são mais conhecidos, dizem a que horas temos de dormir ou acordar (o mecanismo está relacionado com secreção hormonal e incidência luminosa). Nosso organismo, que está programado para realizar tais funções, desregula-se se algo foge à normalidade. Isso acontece, por exemplo, com a implantação do horário de verão (quando o dia tem 23 horas). O texto desmistifica a idéia amplamente disseminada de que só quem dorme oito horas por noite tem sono normal. Um grande dormidor (que precisa de mais de dez horas de sono) é tão normal quanto um pequeno dormidor (que se satisfaz com seis horas ou menos).

Sono paradoxal e sono delta
Os autores abordam também conceitos menos conhecidos, como ‘sono paradoxal’ e ‘sono delta’. Este último, que apresenta ondas lentas, é a parte mais profunda do sono, também conhecido por NREM. O sono paradoxal, ou REM, é uma fase com intensos movimentos oculares e baixa atividade dos demais músculos. Os estágios alternam-se durante a noite, formando ciclos de aproximadamente 90 minutos (uma noite tem, em média, de 4 a 6 ciclos). Um sono reparador deve ter certa quantidade de sono delta e paradoxal. Se não entramos nessas fases, o repouso é superficial e pouco reparador.

Os autores destacam também outra diferença, não menos significativa. Há quem goste de dormir tarde e acordar tarde (são os vespertinos) e quem prefira dormir cedo e acordar cedo (matutinos). “São comportamentos normais, porém diferentes”, diz Louzada. “Mas as atividades escolares começam às 7 da manhã para todos, sem distinção”, lembra. Isso é um problema para muitos, que acabam tachados de preguiçosos quando são apenas vespertinos.

Na adolescência, há um grande atraso nos ‘relógios biológicos’. Justamente nessa época (a partir da quinta série) em geral as aulas, até então oferecidas à tarde, passam a ser ministradas de manhã. Essa mudança, associada aos ‘ladrões’ de sono, como a tevê e o computador, compromete a aprendizagem devido à má qualidade do repouso.

Louzada sugere a oferta de aulas em turnos adequados a cada um dos dois tipos de alunos, os matutinos e os vespertinos. Mas ele reconhece que isso seria economicamente inviável. Matricular todos os estudantes no período da tarde também seria salutar, mas os próprios pais e alunos, por razões pessoais, são contrários a essa proposta. O sono na sala de aula aponta um problema relevante. As possíveis soluções para ele precisam ser seriamente estudadas.



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