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Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu.A.GEDEÃO

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

O caminho



Há 37 anos, a grande maioria dos portugueses, sonhou e viveu a esperança de construir um Portugal livre, democrático, humanista e justo.

E conscientes de tornarem real esse sonho, vieram para a rua – que lhes esteve interdito durante 48 anos – para em conjunto alicerçarem as estruturas duma sociedade onde, todos os portugueses pudessem usufruir duma vida digna.

E lutaram por isso. Lutaram e conseguiram concretizar muitos desses sonhos: foi a justeza do direito são trabalho para todos; foi o serviço nacional de saúde; foram os imensos programas habitacionais, que eliminaram milhares de barracas, que se espalhavam pelo país; foram os cuidados com os problemas ambientais que salvaram da destruição importantes áreas e pesaram no ordenamento territorial; foi a acessibilidade generalizada ao ensino e dos cuidados infantis; foi a construção de infra-estruturas que proporcionaram uma melhoria de qualidade de vida a muitos milhares de portugueses; foi a defesa dum melhor aproveitamento dos recursos nacionais como a reforma agrária, as nacionalizações, as políticas pesqueiras…

E, toda a dinâmica criada proporcionou, dois anos depois, a aprovação duma constituição, considerada na altura uma das mais avançadas do mundo, prestigiando Portugal como nunca antes acontecera. Todos os membros da ONU ovacionaram de pé a sua apresentação pelo marechal Costa Gomes, local onde Portugal nunca tinha estado representado.

Não durou muito este maravilhoso período da vida portuguesa. Os que então se sentiram desalojados de poderes, aliados ao reaccionaríssimo e às traições, apoiados pelos grandes poderes económicos e políticos estrangeiros, de imediato exerceram todas as suas influências e meios para alterarem o rumo dessa sociedade.

E que país temos hoje? Um país que está na iminência de o deixar de ser. São os poderes estrangeiros que determinam já, económica e socialmente o que os portugueses têm que fazer, encaminhando a maioria esmagadora para a subserviência, miséria e instabilidade, em prol dum reduzido número de privilegiados de sempre.

Este é inevitável caminho deste modelo de sociedade bem defendido pelo PS, PSD, CDS e outros que tais. Mas há outro caminho: o do socialismo, que o 25 de Abril de 1974 apontou.


Francisco Lobo, ex-presidente da Câmara de Setúbal

Origem: Osetubalense.pt






Nota de 1lindomenino: aproveitei um artigo do meu "velho" amigo, Francisco Lobo, para que entendamos DE VEZ, o que é AGORA o NOSSO PORTUGAL e o que o MFA nos propuha no 25ABR74. Mas, com a REVOLUÇÃO avança, quase sempre, a CONTRA-REVOLUÇÃO. Advinhem QUEM, hoje, continua a "CANTAR DE GALO"?!... Advinharam?!...






Posted by 1lindomenino



Dated20apr2011



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ary dos Santos. Retrato do poeta

In AMÁLIA/VINICIUSFaixa 16 - Retrato do Poeta - José Carlos Ary dos SantosGravado num serão em casa de Amália Rodrigues em 1968, onde estavam Vinicius de Moraes, Ary dos Santos, Natália Correia e David Mourão-Ferreira.

domingo, 25 de abril de 2010

Vasco Lourenço: «Portugal precisa de um novo 25 de Abril»


Capitão de Abril com duras críticas à corrupção e à Justiça



O presidente da associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, defendeu, no sábado, num jantar comemorativo da revolução, em Almada, que Portugal «precisa de um novo 25 de Abril pela justiça social».

O capitão de Abril afirmou que «é necessário que em Portugal se acabe com o esquema terrível de compadrio, com a impunidade perante situações de corrupção e com o mau funcionamento da Justiça».

«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril», vincou, em declarações à Lusa.

Para Vasco Lourenço, «comemorar a Revolução é invocar, acima de tudo, a grande esperança que os portugueses tiveram naquela altura por um país melhor, mais desenvolvido, mais igualitário, mais justo, mais livre, e reafirmar teimosamente a nossa vontade em lutar por esses ideais, por mais difícil que isso possa parecer».

«É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. Mas que raio de país é este, mas que raio de Justiça é esta?», disse perante uma sala com mais de 700 pessoas.

O militar esclareceu, contudo, que não se refere a uma «ruptura violenta», antes a um «apelo à pressão sobre os responsáveis políticos para que estas situações se alterem». «É necessário que os eleitos não se esqueçam dos eleitores», defendeu.

A luta, disse, tem que travar-se também nos programas curriculares da história que contamos às gerações que nasceram já depois da liberdade: «Estamos a contar mal a luta antifascista às gerações mais novas. É preciso continuar a lutar pelo esclarecimento, e para evitar o branqueamento do fascismo, para que a memória não se perca.»



Agradecimento ao site http://www.tvi24.iol.pt/

Nota de 1lindomenino: bem que eu tenho falado "nisso"...!!! Leste o blog do 1lindomenino, Capitão Vasco Lourenço?!?!?!...
Hummm...

25 de Abril a Cantar - Coro da Primavera

Cantar ABRIL: Samuel - Lena D`Água e Vitorino

Filme Capitães de abril, realizado por Maria de Medeiros, em 2000.

Nota de 1lindomenino: termina hoje a série de 15 Vídeos sobre o filme "Capitães de Abril" de Maria de Medeiros. Entre a VERDADE e a FICÇÃO ficam "momentos" INOLVIDÁVEIS da História de Portugal e na vida dos Portugueses.

Obrigado pelo VOSSO interesse e por terem seguido AQUÍ, no ++lindomenino, estes Vídeos.

25 de ABRIL, SEMPRE...!!!

sábado, 24 de abril de 2010

Cronologia da Revolução dos Cravos



Esta é uma cronologia da Revolução dos Cravos que, em 25 de Abril de 1974, pôs fim a 48 anos de ditadura em Portugal, abrindo caminho para a implementação de um governo democrático.


24 de Abril
No final do dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa. Entre eles estavam também o comandante Vítor Crespo, o major Sanches Osório, o major Garcia dos Santos e o major Hugo dos Santos.


22:55
É transmitida a canção ”E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa. Este foi a primeira das senhas previamente combinadas pelos golpistas para sincronizar as operações.

25 de Abril

00:20
É dada a senha definitiva, quando foi transmitida a leitura gravada da primeira estrofe da canção ”Grândola Vila Morena“ de José Afonso, no programa independente Limite transmitido através da Rádio Renascença. A senha definitiva confirma o início simultâneo das operações em todo o País e comanda o avanço das forças sobre os seus objectivos. Em seguida foram lidos dois poemas de Carlos Albino, jornalista do República e um dos responsáveis pelo programa, juntamente com Manuel Tomás, Leite de Vasconcelos e Marcel Almeida. A bobine original da Senha foi doada pelos seus executores à Fundação Mário Soares, onde se encontra.

00:30

Os militares do MFA ocupam a Escola Prática de Administração Militar.

01:00
É tomada a Escola Prática de Cavalaria de Santarém, ao mesmo tempo que se inicia a movimentação de tropas em Estremoz, Figueira da Foz, Lamego, Lisboa, Mafra, Tomar, Vendas Novas, Viseu, e outros pontos do país.

03:00
As forças revoltosas, numa acção sincronizada, iniciam a ocupação dos pontos da capital considerados vitais para o sucesso da operação: o Aeroporto de Lisboa, o Rádio Clube Português, a Emissora Nacional, a RTP e a Rádio Marconi. Todos este alvos serão ocupados sem resistência significativa.
No Norte, uma força do CICA 1 liderada pelo Tenente-Coronel Carlos Azeredo toma o Quartel General da Região Militar do Porto. Mais tarde estas forças são reforçadas por forças vindas de Lamego. Forças do BC9 de Viana do Castelo tomam o Aeroporto de Pedras Rubras.



03:30
Os militares do MFA iniciam o cerco ao Quartel-General da Região Militar de Lisboa, em São Sebastião da Pedreira.

04:00
Devido à falta de noticias sobre o controlo do Aeroporto de Lisboa, é adiada a transmissão do primeiro comunicado do Movimento, prevista para esta hora no RCP..

04:15
O regime reagiu, com o ministro da Defesa a ordenar a forças sedeadas em Braga para avançarem sobre o Porto, com o objectivo de recuperar o Quartel-General, mas estas forças tinham aderido ao MFA e ignoraram as ordens.

04:20
As forças da Escola Prática de Infantaria de Mafra controlam o aeroporto de Lisboa que é encerrado. O tráfego aéreo é reencaminhado para Madrid e Las Palmas.


04:26
Leitura do primeiro comunicado do MFA, pela voz do jornalista Joaquim Furtado, aos microfones do Rádio Clube Português:
Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas portuguesas apelam a todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os Portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária.

Após a leitura do comunicado, foi tocada A Portuguesa, prosseguindo a emissão com a passagem de marchas militares, entre as quais a marcha "A Life on the Ocean Waves" de Henry Russell (1812-1900), que haveria de ser adoptada como hino do MFA.


Às 04h 20m o Aeroporto Militar de Figo Maduro (Aerodromo de Transito nº. 1), adjacente ao Aeroporto de Lisboa, foi ocupado por um só homem, o capitao piloto-aviador Costa Martins. Controlado o AT1, com o "bluff" de que se encontrava cercado por uma Companhia da Escola Prática de Infantaria, o capitão Costa Martins dirigiu-se à torre de controlo do aeroporto de Lisboa, com o mesmo "bluff" e deu ordens de encerrar todo o trafego aéreo instruindo o ATC no sentido de divulgar um "NOTAM" que oficializou o encerramento da FIR de Lisboa e de todos os sobrevoos e ou operações aereas civis em Portugal. Costa Martins seria mais tarde difamado e vilipendiado sendo a sua promoção suspensa e afastado da Força Aérea. Após um longo processo judicial que chegou ao Supremo Tribunal de Justiça o capitão Costa Martins foi reintegrado e promovido a coronel, o posto que teria se nunca tivesse sido afastado.
O Coronel Costa Martins faleceu recentemente em desastre aéreo.

04:45
Leitura do segundo comunicado do MFA, na antena do RCP:
A todos os elementos das forças militarizadas e policiais o comando do Movimento das Forças Armadas aconselha a máxima prudência, a fim de serem evitados quaisquer recontros perigosos. Não há intenção deliberada de fazer correr sangue desnecessário, mas tal acontecerá caso alguma provocação se venha a verificar.
Apelamos, portanto, para que regressem imediatamente aos seus quartéis, aguardando as ordens que lhes serão dadas pelo M. F. A.
Serão severamente responsabilizados todos os comandos que tentarem por qualquer forma conduzir os seus subordinados à luta com as Forças Armadas.

05:15
É lido o terceiro comunicado do MFA:
Para que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, apelamos para o bom senso dos comandos das Forças Militarizadas no sentido de serem evitados confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua ocorrência aos hospitais a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja sinceramente desnecessária.
A todos os elementos das Forças Militarizadas e policiais, o Comando do Movimento das Forças Armadas aconselha a máxima prudência, a fim de serem evitados quaisquer recontros perigosos. Não há intenção deliberada de fazer correr sangue desnecessariamente, mas tal acontecerá caso alguma provocação se venha a verificar.
Apelamos, portanto, para que regressem imediatamente aos seus quartéis, aguardando as ordem que lhes serão dadas pelo Movimento das Forças Armadas. Serão severamente responsabilizados todos os comandos que tentarem por qualquer forma conduzir os seus subordinados à luta com as Forças Armadas.
Informa-se a população de que, no sentido de evitar todo e qualquer incidente ainda que involuntário, deverá recolher a suas casas, mantendo absoluta calma. A todos os elementos das forças militarizadas, nomeadamente às forças da G.N.R. e P.S.P. e ainda às Forças da Direcção-Geral de Segurança e Legião Portuguesa, que abusivamente foram recrutadas, lembra-se o seu dever cívico de contribuírem para a manutenção da ordem pública, o que, na presente situação, só poderá ser alcançado se não for oposta qualquer reacção às Forças Armadas. Tal reacção nada teria de vantajoso, pois conduziria a um indesejável derramamento de sangue, que em nada contribuiria para a união de todos os portugueses. Embora estando crentes no bom senso e no civismo de todos os portugueses, no sentido de evitarem todo e qualquer recontro armado, apelamos para que os médicos e o pessoal de enfermagem se apresentem em todos os hospitais para uma colaboração que fazemos votos seja desnecessária.

06:45
Quarto comunicado do MFA:
Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
Atenção elementos das forças militarizadas e policiais. Uma vez que as Forças Armadas decidiram tomar a seu cargo a presente situação, será considerado delito grave qualquer oposição das forças militarizadas e policiais às unidades militares que cercam a cidade de Lisboa. A não obediência a este aviso poderá provocar um inútil derramamento de sangue, cuja responsabilidade lhes será inteiramente atribuída. Deverão, por conseguinte, conservar-se dentro dos seus quartéis até receberem ordens do Movimento das Forças Armadas. Os comandos das forças militarizadas e policiais serão severamente responsabilizados, caso incitem os seus subordinados à luta armada.»

07:30
Quinto comunicado do MFA:
Aqui posto de comando das Forças Armadas.
Conforme tem sido transmitido, as Forças Armadas desencadearam, na madrugada de hoje, uma série de acções com vista à libertação do País do regime que há longo tempo o domina.
Nos seus comunicados as F. A. têm apelado para a não intervenção das forças policiais, com o objectivo de se evitar derramamento de sangue. Embora este desejo se mantenha firme, não se hesitará em responder, decidida e implacavelmente, a qualquer oposição que se venha a manifestar.
Consciente de que interpreta verdadeiros sentimentos da Nação, o M. F. A. prosseguirá na sua acção libertadora, e pede à população que se mantenha calma e que recolha às suas residências.
Viva Portugal.

08:45
Sexto comunicado do MFA, desta vez aos microfones da Emissora Nacional.
As Forças Armadas iniciaram uma série de acções com vista à libertação do País do regime que há longo tempo o domina. Nos seus comunicados, as Forças Armadas têm apelado para a não intervenção das forças policiais, com o objectivo de se evitar derramamento de sangue. Embora este desejo se mantenha firme, não se hesitará em responder, decidida e implacavelmente, a qualquer oposição que venha a manifestar-se. Consciente de que interpreta os verdadeiros sentimentos da nação, o movimento das Forças Armadas prosseguirá na sua acção libertadora e pede à população que se mantenha calma e que recolha às suas residências.
Viva Portugal!

16:00
Forças do CIOE controlam as instalações da RTP do Monte da Virgem e do RCP, no Porto.


Agradecimento ao site http://pt.wikipedia.org/

Capitães de abril Filme 14/15

Filme Capitães de abril, realizado por Maria de Medeiros, em 2000.

Nota de 1lindomenino: amanhã, 25ABR10, comemora-se em LIBERDADE o 36º Aniversário da Revolução dos Cravos. Este filme aborda de uma forma "fantasiada" alguns aspectos importantes nesse dia mas... é a forma como Maria de Medeiros quis nos passar essa data e, em Democracia e Liberdade, ISSO É não só POSSÍVEL como é desejável...!!! Se vivessemos ainda em FASCISMO/DITADURA nem essa nem QUALQUER OUTRA FORMA - que não fosse a "forma de ver do Estado"- e SÓ ESSA, seria possível...!!!

LIBERDADE é, também, estas "pequeninas coisas"...!!!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Capitaes de abril Filme 13/15




Filme Capitães de abril, realizado por Maria de Medeiros, em 2000.


Grândola, Vila Morena



Mural alusivo em Grândola, Vila Morena é a canção composta e cantada por Zeca Afonso que foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) para ser a segunda senha de sinalização da Revolução dos Cravos. A canção refere-se à fraternidade entre as pessoas de Grândola, no Alentejo, e teria sido banida pelo regime Salazarista como uma música associada ao Comunismo. Às 00h20m do dia 25 de Abril de 1974, a canção era transmitida na Rádio Renascença, a emissora católica portuguesa, como sinal para confirmar as operações da Revolução. Por esse motivo, a ela ficou associada, bem como ao início da Democracia em Portugal.




História
A canção foi incluída no álbum "Cantigas do Maio", editado em Dezembro de 1971, disco que conta com os arranjos e direcção musical de José Mário Branco. "Grândola, Vila Morena" é a quinta faixa do álbum, gravado em Herouville, França entre 11 de Outubro e 4 de Novembro de 1971.

O Zeca estreou a canção em Santiago de Compostela (capital da Galiza) em 10 de Maio de 1972.

No dia 29 de Março de 1974, Grândola, Vila Morena foi cantada no encerramento de um espectáculo no Coliseu de Lisboa. Na assistência estavam militares do MFA, que viriam a escolher a canção como uma das senhas para o arranque da Revolução dos Cravos. Curiosamente, para esse espectáculo a censura do regime fascista havia proibido a interpretação de várias canções do Zeca, entre as quais "Venham Mais Cinco", "Menina dos Olhos Tristes", "A Morte Saiu à Rua" e "Gastão Era Perfeito".

Às 00:20 da madrugada do dia 25 de Abril de 1974, a "Grândola, Vila Morena" foi tocada no programa Limite da Rádio Renascença. Era a segunda senha que confirmava o bom andamento das operações e despoletava o avanço das forças organizadas pelo MFA. A primeira senha, tocada cerca de hora e meia hora antes, às 22:55 do dia 24 de Abril, foi a música "E depois do adeus", cantada por Paulo de Carvalho.

Pouco antes da sua morte, o Zeca e vários amigos seus galegos cantaram ao vivo e gravaram uma nova edição da canção na Homenagem da Galiza a José Afonso (Agosto de 1985; editado por Eds. do Cúmio). Ainda na década de 70, Nara Leão lançou no Brasil, em compacto simples, a canção de Zeca Afonso.

Em 1987 foi regravada pelo grupo de rock brasileiro 365 no LP Mix da Música São Paulo, constando na 7ª faixa com o nome de "Vila Morena".




Agradecimento ao site http://pt.wikipedia.org/

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Capitães de abril Filme 12/15

Filme Capitães de abril, realizado por Maria de Medeiros, em 2000.

Nota de 1lindomenino: continuo a dizer que isto é um FILME sobre o HISTÓRICO 25 de Abril de 1974 em Portugal. Este filme foi feito 26 anos depois e, portanto, embora tenha muitas semelhanças com o acontecimento, ele é FICCIONADO como quase TODOS os filmes o são.

Uma "ressalva" IMPORTANTE...!!!

Obrigado, desde já, pela vossa extraordinária audiência a este FILME.

TRANSFORMO UM CRAVO DE ABRIL


Transformo um cravo vermelho
no galope das palavras
um beijo uma flor
na metáfora do amor.

Trago a coragem desse dia
à luz das mãos
o ritmo das canções
a soltar o coração.

Trago um cravo de Abril
no alforge da poesia
um sorriso uma cor
na esperança de uma flor.

Transformo um cravo vermelho
no galope das palavras
e falo de ti “ao vento que passa”
falo de ti liberdade em toda a parte.




Fernando Paulino, Setúbal

Agradecimento ao Fernando e ao site
http://www.portugal-linha.pt/

quarta-feira, 21 de abril de 2010

CRAVO: símbolo da REVOLUÇÃO DE ABRIL


O cravo tornou-se no símbolo da Revolução de Abril de 1974; com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, apoiando os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos pelos soldados que depressa os colocaram nos canos das espingardas.

Capitães de abril Filme 11/15

Filme Capitães de abril, realizado por Maria de Medeiros, em 2000.

DÁDIVA DOS DEUSES - Adelino Gomes (Jornalista e escritor)


Fui acordado pouco depois das seis da manhã. Lisboa "estava cercada". Arranjei-me, apanhei um eléctrico até Sete Rios e o metro até aos Restauradores. Segui a pé até ao Terreiro do Paço, onde passei longo tempo a procurar furar a barreira dos soldados, que não deixavam ninguém chegar junto da força militar lá posicionada.
O que estava a ver não me entusiasmava muito. Os blindados e sobretudo os capacetes na cabeça dos soldados eram excessivamente parecidos com as imagens que tinham corrido mundo sete meses antes, quando Pinochet derrubou o governo de Unidade Popular de Salvador Allende.
Nessa altura eu trabalhava como secretário de redacção na revista Seara Nova, que tinha acabado de "fechar" o número que sairia em Maio. Não se me pôs, portanto, sequer, a questão de estar a faltar ao trabalho. Mas exactamente porque se tratava de uma revista mensal, também não se me punha a urgência de tomar notas para um hipotético artigo que só sairia... um mês depois.
Possivelmente porque se cansou da minha insistência, um dos soldados lá me deixou passar. Dirigi-me ao centro da Praça, onde já estavam alguns jornalistas, a maioria fotógrafos. Perguntei ao Carlos Gil se ele sabia de que lado estava aquela força. Não sabia, mas disse-me que o comandante era um capitão de apelido Maia. Dirigi-me a ele. Tínhamos sido colegas nos 6º e 7º anos do Liceu Rodrigues Lobo, em Leiria. Fiz-lhe a mesma pergunta, mal o vi. A resposta dele ainda hoje vale, para mim, na sua simplicidade, como uma das mais belas definições do 25 de Abril: "Não tiveste uns problemas quaisquer por causa de umas coisas que disseste num programa da Rádio Renascença? Estamos a fazer isto para que ninguém mais tenha que sair do país por causa daquilo que diz, escreve ou pensa".

Eram para aí dez e meia, o mais tardar 11 da manhã. Dei-lhe um abraço. A partir daí não ia ser apenas um repórter a acompanhar um acontecimento histórico. Ia ser também um cidadão a testemunhar a queda da ditadura e a abertura de um novo capítulo da nossa vida colectiva.
Um e outro acontecimentos, assim juntos, constituem na minha vida, ainda hoje, passados 34 anos, a mais extraordinária dádiva dos deuses. Com uma (não) pequena ajuda dos militares e dos milhares de lisboetas que logo saíram à rua, vitoriando os homens de Maia, mesmo antes destes terem prendido Marcelo Caetano e os seus ministros, no Quartel General da GNR, no Largo do Carmo.




Adelino Gomes
Abril 2008

Agradecimento ao site http://ww1.rtp.pt/icmblogs/

terça-feira, 20 de abril de 2010

Capitães de abril Filme 10/15

Filme Capitães de abril, realizado por Maria de Medeiros, em 2000.

Nota de 1lindomenino: este é um filme sobre o glorioso dia 25ABR74 e, como a maioria dos filmes, tem uma parte histórica e, uma outra, ficcionada. Mas a "imagem" que este filme transmite é "muito nítida" sobre alguns aspectos da Revolução.

OTELO SARAIVA DE CARVALHO: o "estratega" do 25ABR74 em PORTUGAL


Perfil
Otelo Saraiva de Carvalho. Tenente-coronel



Foi um homem de confiança de Spínola, na Guiné, antes de 1974.
Mas a revolução e a via socialista colocou-os em rota de colisão no Período Revolucionário em Curso. Major a 25 de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho
foi o estratego do golpe, depois graduado em brigadeiro e general. Admirado e odiado com o mesmo fervor, Otelo associou-se à ala mais radical da revolução, apoiou a Reforma Agrária e as ocupações de terras no Alentejo. Ameaçou «meter os fascistas no Campo Pequeno», despertou ódios e entusiasmou uma extrema-esquerda sem líder. Foi candidato nas presidenciais de 1976, ganhas por Ramalho Eanes, e ficou em segundo lugar.
Em 1984, é preso sob a acusação de liderar as FP-25 de Abril, organização armada que lutava pela «revolução socialista». Sempre o negou e foi condenado a 18 anos. Cumpriu cinco anos. Em liberdade desde 1989, vive nos arredores de Lisboa. Tem 67 anos.



22 Abril 2009


Agradecimento ao site http://dn.sapo.pt/


segunda-feira, 19 de abril de 2010

domingo, 18 de abril de 2010

Capitães de abril Filme 8/15

Filme Capitães de abril, realizado por Maria de Medeiros, em 2000.

Nota de 1lindomenino: este tipo de linguajar do oficial do quadro permanente (Brigadeiros, Coronéis, Majores...) era "conhecido"...!!! Os soldados, cabos, recrutas, etc., eram NO MÍNIMO uns "FILHOS DA PUTA"...!!! Quem "lá" esteve sabe isso... e SABE que É VERDADE...!!!

sábado, 17 de abril de 2010

Salgueiro Maia - O "operacional" do 25ABR74







Biografia
Salgueiro Maia, como se tornou conhecido, foi um dos distintos capitães do Exército Português que liderou as forças revolucionárias durante a Revolução dos Cravos, que marcou o final da ditadura. Filho de Francisco da Luz Maia, ferroviário, e de Francisca Silvéria Salgueiro, frequentou a escola primária em São Torcato, Coruche, mudando-se mais tarde para Tomar, vindo a concluír o ensino secundário no Liceu Nacional de Leiria. Licenciou-se em Ciências Sociais e Políticas e em Ciências Etnológicas e Antropológicas.

Em Outubro de 1964, ingressa na Academia Militar, em Lisboa e, dois anos depois, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, para frequentar o tirocínio. Em 1968 é integrado na 9ª Companhia de Comandos, e parte para o Norte de Moçambique, em plena Guerra Colonial, cuja participação lhe valeu a promoção a Capitão, já em 1970. A Julho do ano seguinte, embarca para a Guiné, só regressando a Portugal em 1973, onde seria colocado na EPC.

Por esta altura iniciam-se as reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas e, Salgueiro Maia, como Delegado de Cavalaria, integra a Comissão Coordenadora do Movimento. Depois do 16 de Março de 1974 e do «Levantamento das Caldas», foi Salgueiro Maia, a 25 de Abril desse ano, quem comandou a coluna de carros de combate que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, a rendição de Marcello Caetano, no Quartel do Carmo, que entregou a pasta do governo a António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcello Caetano ao avião que o transportaria para o exílio no Brasil.

A 25 de Novembro de 1975 sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do Presidente da República. Será transferido para os Açores, só voltando a Santarém em 1979, onde ficou a comandar o Presídio Militar de Santa Margarida. Em 1984 regressa à EPC.

Em 1983 recebe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1992, a título póstumo, o grau de Grande Oficial da Ordem da Torre e Espada e em 2007 a Medalha de Ouro de Santarém.

Em 1989 foi-lhe diagnosticada uma doença cancerosa que, apesar das intervenções cirúrgicas no ano seguinte e em 1991, o vitimaria a 4 de Abril de 1992.


Frases e momentos para a História...
Madrugada de 25 de Abril de 74, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém:

"Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui."

Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas da forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente. Depois seguíram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.

Nota de 1lindomenino: Salgueiro Maia foi "um herói"...!!! Depois de alguns militares "conservadores" retomarem os seus postos de comando, Maia foi desprezado e, tantas vezes, humilhado. Já com câncer diagnosticado, viu ser-lhe negada uma aposentadoria por aqueles que, ao mesmo tempo, as concediam aos bufos e ex-Pides. Salgueiro Maia resistiu, mesmo assim, até que a MORTE o levou.
Obrigado, Salgueiro Maia...!!!

Capitães de abril Filme 7/15

Filme Capitães de abril, realizado por Maria de Medeiros, em 2000.