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terça-feira, 12 de maio de 2009

A Madrinha de Guerra

125 avos do segundo.
125 avos de um segundo, foi quanto tempo ela esteve naquela posição; se a película fotográfica era muito sensível esteve até menos tempo.
Agora ficou, podemos dizê-lo, para toda a eternidade a olhar para nós naquela fotografia que o cabo Ramos me exibe à espera do veredicto.
‑ Atão?

Vacilo entre o comum e o vulgar. Na parede ao fundo vê-se quase completamente um quadro que mostra em letra gótica muito elaborada a palavra "Motel" e depois uma lista de advertências destinadas aos utentes. A pose estudada faz adivinhar a voz do homem que disparou a máquina ‑ Agora olha pela janela… isso! E ela atirou o cabelo para trás com um gesto desajeitado e deixou que o seu olhar caísse da janela, lento e triste como uma ave pousando cansada no passeio da rua lá em baixo e vestiu à pressa um sorriso pouco convincente, que lhe ficou pendurado no rosto como um lenço solitário a enxugar, num estendal vazio.
A pele dos braços, fazendo antever toda a extensão latifundiária do corpo nu sobre a cama, inspira-me, como ao fotógrafo terá inspirado, sadismos de felino perante uma presa fácil.

Que aconteceu? Uma noite de paixão ou uma simples troca de fluidos que não deu para iluminar aquele rosto de onde se desprendeu a ave triste de um sorriso, para ir pousar numa insignificância qualquer, no passeio da rua?
O Cabo Ramos olha-me um pouco desconsolado com a minha aparente dificuldade em proferir um juízo; eu olho-o com um sorriso pateta e pergunto ‑
É a tua namorada?
Viro instintivamente a foto ao contrário onde uma letra de um desconcerto semi-analfabeto, nitidamente escrita sobre uma mensagem anterior, mal rasurada, promete ‑ Amor gardo-me para ti".
Encaro o olhar quase ofendido do Ramos e ele responde ‑ Madrinha de guerra.
Aquela mulher, que a minha imaginação pervertida pela abstinência forçada transformou numa galdéria, trouxe um pouco de esperança ao coração de um soldado.
‑ Fiquei admirado. É linda! E o cabo Ramos olhou-me com um ar feliz.
125 avos do segundo é quanto o cabo Ramos conhece daquela mulher e o sorriso dele diz-me que está apaixonado.
‑ Foi na Flama. Tinha lá esta foto e a morada. Ópois a gente escrevemos-se. ‑ Fiquei admirado. É linda! Digo eu novamente, como se inventar uma segunda mentira fosse duplamente reprovável.
Guardou a foto no dólmen, orgulhoso, e virou-se para a ração de combate enquanto eu fiquei a lutar com uma lata de bacalhau à biscainha que teimava em não se deixar abrir.
É um verdadeiro prodígio o que um ínfimo relâmpago de 125 avos do segundo de sensualidade pode fazer na vida de um soldado solitário e desterrado, cujo maior entretenimento é a luta pela sobrevivência.
Olho o cabo Ramos ali acocorado com a caixa de cartão da ração de combate pousada na G3, cruzada sobre as pernas, comendo com as mãos sujas de uma lata verde-azeitona e não posso esquecer a silhueta do corpo daquela mulher, num motel de terceira categoria, exibindo a sensualidade possível de um ombro e de um braço nus, que despertou em mim uma perversidade de um leitor de romances de cordel.
Mas é o que eu não vejo que verdadeiramente me seduz… onde pousou aquele olhar? Que insignificância na rua serviu de desculpa para a tristeza lhe pousar ao de leve no rosto? Que sinal na pele, único e oculto, sob a roupa, faria do cabo Ramos o seu mais íntimo amante, se o conhecesse? Que timbre na voz o acordaria de noite por ter partido o vidro frágil da sua alma de camponês boçal?
No verso da foto a mensagem rasurada. Que desilusão a fez apagar? Que promessa de encontros sórdidos num motel suburbano, à míngua de uma história de amor, foi substituída por um voto de uma castidade serôdia?
Não sei como, uma súbita ternura apoderou-se de mim.
Ah, se eu pudesse pegar-te nas mãos e olhar-te nos olhos e dizer-te que a luz insegura do teu sorriso me encanta tanto como a sombra que vestiu de tristeza o teu olhar.
‑ Amor gardo-me para ti.
Que tenho eu que pudesse dar-te, para além de uma mão febril sobre um seio gelado, para além da libido predatória e canibal? Como uma palavra escrita na superfície da esperança, que ao lê-la, tivesses a certeza que me conhecias desde sempre, uma certeza inabalável, que nunca vestisse o teu sorriso de tristeza.
‑ Ópois a gente escrevemos-se.

(grafia original do texto)


Manuel Bastos


Os meus agradecimentos ao Manuel e ao Site: http://textocompleto.blogspot.com/

Nota de 1lindomenino: este e outros "escritos" do Manuel Bastos são genuínos e, para quem lá esteve no "Ultramar" Português, não pode deixar de se comover e de pensar em TODAS as situações em que, a grande maioria de nós, esteve "envolvido". Para ser "mais explícito: nas quais FOMOS ENVOLVIDOS... !!!

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