POR UM PORTUGAL DIFERENTE

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Eu, quando choro, não choro eu. Chora aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu.A.GEDEÃO

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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Vitória F.C. (Setúbal) - Só há ESTE... !!!


"Em Setúbal nasceu um clube pequenino que ficou bem na memória

E com os anos cresceu entranhado no destino com o nome de Vitória,

Agora ja foi igual aos grandes de tradição o Vitória faz das suas

Quer dentro de Portugal ou em qualquer outra nação perde uma não perde duas

Vivó Vitoria cantemos todos bem alto..."


Um pouco de... HISTÓRIA


Foi no início do Séc. XX, mais precisamente a 10 de Novembro de 1910, que por desinteligências entre elementos do Bomfim Foot-ball Club, um dos clubes onde se praticava essa nova modalidade importada das ilhas britânicas chamada Futebol, levaram Joaquim Venâncio, Henrique Santos e Manuel Gregório a abandonar esse clube, lançando a ideia da formação de um pequeno grupo a que dariam o nome de Sport Vitória. «A Vitória será nossa» dizia o entusiasta Joaquim Venâncio, e daí o nome que ficaria para a posteridade de Vitória.


Entretanto, a saída de mais elementos de outros clubes setubalenses tais como Guilherme da Silveira, José Preto Chagas, Manuel Reimão, Gabriel Roillé, Matos Diniz, Duarte Catalão, Ernesto Viegas, António Ledo, Eurico Costa, Joaquim Gomes, Júlio Araújo e Mário Ledo iria aumentar o número de membros do mais recente clube de Setúbal.


A 20 de Novembro de 1910 estava constituído o clube, com alguns dos nomes que iriam ter um papel preponderante no seu futuro, e que iria passar a chamar-se por sugestão de Joaquim Correia da Costa, a 5 de Maio de 1911, aquando da primeira reunião de Assembleia Geral, de Victória Foot-ball Club.



Uma das primeiras Equipas do Vitória.
Embora o clube sadino se tenha mudado para o seu berço, o Campo dos Arcos, a 15 de Setembro de 1913, enfrenta a recusa dos clubes de Lisboa em se deslocarem a Setúbal (não havia campeonato nacional, apenas regional em Lisboa). O Vitória continuou a jogar , domingo após domingo na capital e apesar das dificuldades acaba por se sagrar vencedor do Campeonato Regional de 2.ªs categorias em 1916/17. Este resultado incentiva o Vitória a participar no Campeonato de 1.ª categoria em 1918/19, e enquanto as suas 2.ªs categorias repetiam o feito em 1921/22 e 1925/26 a primeira equipa sagrava-se Campeã de Lisboa em 1923/24 e 1926/27 suplantando clubes como o Benfica, o Sporting ou o Belenenses. Acabaria por falhar a conquista do campeonato de Portugal nas duas ocasiões.


Nessa altura o Vitória não era só o futebol, mantendo secções de tiro, natação, ciclismo e corridas, criando a génese de clube eclético que mantêm actualmente, e em que, por intermédio de secções como a ginástica, o ténis de mesa, o andebol, o atletismo, futsal, futebol juvenil, ou o aikido e o judo o clube movimenta centenas de atletas .

Voltando ao Futebol, o Vitória acabaria por abandonar mais tarde os campeonatos de Lisboa, fundando, com outros clubes, a associação de Futebol de Setúbal. Com o passar dos anos, o clube foi crescendo e criando raízes mais sólidas. Em 1943/44 o clube atinge pela primeira vez uma final da Taça de Portugal, pela mão do treinador Armando Martins, e embora o Vitória tivesse perdido com o Benfica em Lisboa por um expressivo 5–1, a alegria do povo setubalense deixa espantada a capital. Onze anos mais tarde repete a presença na final onde defronta o Sporting e uma equipa de arbitragem de critérios duvidosos. O Vitória acaba injustamente derrotado por 3-2, mas em Setúbal organiza-se uma subscrição pública e com os donativos do povo setubalense é feita uma Taça que recebe o nome de «Taça Recompensa», para assim destinguir aqueles que teriam sido justos vencedores do Troféu nacional.


Entretanto, face ao crescimento do Clube, nasce a ideia de construir um novo Estádio. Mário Ledo será um dos homens que guiará essa obra a bom porto. A 16 de Setembro de 1962 é inaugurado o Estádio do Bonfim numa festa que trás a Setúbal em caravanas de automóveis, pessoas de toda a região. Estavam criadas condições para a década dourada do futebol vitoriano.

Para além de continuar a somar presenças nas finais da Taça de Portugal, o Vitória acaba por conseguir pela mão do treinador Fernando Vaz, a vitória nas edições de 1964/65 frente ao Benfica, por 3-1, e em 1966/67 frente à Académica de Coimbra, por 3-2, na final mais longa de todos os tempos (144 minutos!). Ao todo soma oito presenças na final desta competição.


Jacinto João. Um dos maiores atletas do Vitória Futebol Clube.
A equipa de "JJ", Matine, Tomé, Carlos Cardoso, José Maria, Conceição e Vítor Batista enchia os Estádios nacionais e europeus com a magia do seu futebol. Orientados por José Pedroto, o Vitória atinge o segundo lugar na época de 1971/72 e o 3.º lugar nas épocas de 1969/70, 1972/73 e 1973/74. Nas competições europeias o Vitória soma 12 presenças ( três na taça das taças e 9 na Taça das Cidades com Feira/UEFA onde atinge por quatro vezes os quartos-de-final. Gigantes do futebol do velho continente como o Leeds United, Inter de Milão, Fiorentina, Lyon, Spartak de Moscovo, Hayduk Split, Rapid de Bucareste e Anderlecht caem aos seu pés.




É convidado para diversos torneios a nível internacional, dos quais destacamos a participação no Troféu Ibérico, na Taça Teresa Herrera, em Julho de 1968, vencendo na final a equipa do Rapid de Viena e a participação na Mini-Copa do Mundo, em Caracas na Venezuela (1970), em que chega também à vitória frente às equipas do Chelsea, do Santos e do Werder Bremen.


Hoje, os atletas que representam o Vitória Futebol Clube de Setúbal, sabem que ao vestir a camisola branca listada de verde, carregam no corpo uma história cheia de glória de um clube que têm a responsabilidade de honrar e a valorizar, dia após dia.



A equipa de 2007-8 do VFC



O "meu" VITÓRIA é único... !!! Um Clube de grande prestígio em Portugal e no Estrangeiro e com uma "massa associativa" e claques vibrantes, ativas, pacíficas e que vivem o "seu" Clube no dia-a-dia com a "normalidade" de quem AMA um ente querido. O VITÓRIA sabe que SEMPRE pode contar com ELES. Sempre contou e contará... a nossa HISTÓRIA rica de acontecimentos, felizes e "menos felizes", nos "diz" isso mesmo...!!! Ser do VITÓRIA e ser SETUBALENSE é um duplo prazer... Cidade e Clube se "unem e se fundem" num só corpo e num só espírito...!!! Setúbal sabe que SEMPRE poderá contar com o seu VITÓRIA e, este, sabe que SEMPRE poderá contar com a Cidade e com os seus filhos. SETÚBAL e VITÓRIA terão de continuar sempre "irmanados" nesse mesmo ideal de amor, cooperação e lealdade. Só assim, juntos, poderão caminhar rumo a um FUTURO de enorme dignidade e de infindáveis OBJETIVOS.



VIVA O VITÓRIA e VIVA SETÚBAL.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sebastião da Gama - Poeta da ARRÁBIDA














BIOGRAFIA
Poeta português, natural de Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal. Concluiu o curso de Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1947, e ainda nesse ano iniciou a sua actividade de professor, que exerceu em Lisboa, Setúbal e Estremoz. Foi colaborador das revistas Árvore e Távola Redonda.
Sebastião da Gama ficou para a história pela sua dimensão humana, nomeadamente no convívio com os alunos, registado nas páginas do seu famoso Diário (iniciado em 1949). Literariamente, não esteve dependente de qualquer escola, afirmando-se pela sua temática (amor à natureza, ao ser humano) e pela candura muito pessoal que caracterizou os seus textos. Atingido pela tuberculose, que causaria a sua morte precoce, passou a residir no Portinho da Arrábida, com a panorâmica serra da Arrábida a alimentar o culto pela paisagem presente na sua obra. Foi, entretanto, instituído, com o seu nome, um Prémio Nacional de Poesia.
Estreou-se com Serra Mãe, em 1945. Publicou ainda Loas a Nossa Senhora da Arrábida (1946, em colaboração com Miguel Caleiro), Cabo da Boa Esperança (1947) e Campo Aberto (1951). Após a sua morte, foram editados Pelo Sonho é que Vamos (1953), Diário (1958), Itinerário Paralelo (1967), O Segredo é Amar (1969) e Cartas I (1994).
Azeitão (Portugal)
1924 - 1952

O Poema

O poeta beija tudo

O poeta beija tudo, graças a Deus... E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade...
E diz assim: "É preciso saber olhar..."
E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos...
E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás...
E perde tempo (ganha tempo...) a namorar uma ovelha...
E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso...
E acha que tudo é importante...
E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim...
E reparou que os homens estavam tristes...
E escreveu uns versos que começam desta maneira: "O segredo é amar..."


(Site: http://belostextos.aaldeia.net/)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

GAMBRINUS – uma referência NACIONAL






Lisboa, capital de Portugal, início da Rua das Portas de Santo Antão ( a rua do Coliseu dos Recreios), atrás de uma pequena porta e de uma vitrina lateral com uma bandeja rica em mariscos, tudo em madeira maciça e ricamente trabalhada e o pormenor de um ligeiro telhado sobre a porta, lá estava o “famoso” Gambrinus.

Tinha 16/17 anos quando entrei pela primeira vez num Restaurante classificado (nessa altura) como de “Luxo”.

Para ser sincero ( e EU sou...) senti-me como num conto das “mil e uma noites”. Na entrada, está um bar muito acolhedor com bancos altos e um pessoal extremamente educado e eficiente, e é destinado a todos aqueles que preferem fazer a sua refeição ali ou só mesmo comer algo rápido ou até consumir só uma bebida, mas também é utilizado para, no caso das salas estarem repletas, o público aguardar ali e, entretanto, tomar um aperitivo para antes da refeição.

Quando passamos para as salas de refeição (tem duas: uma menor e mais “resguardada” e outra bem grande, ou seja, a “principal”) ficamos maravilhados com as flores naturais existentes pelas salas, pelos empregados que imediatamente nos vão acolher, pela disposição de copos, talheres, pratos e tantos outros elementos necessários para “apoio” ao serviço de mesa, pelas alcatifas “únicas” de beleza, desenho e elegância, pelas madeiras maciças que compõem pequenas escadas, corrimãos, mesas de clientes, mesas de exposição de frutas e doçaria bem como de algumas garrafas de vinho, as separações entre alguns setores das salas, peças de porcelana, granito e vitrais alusivos ao Rei Gambrinus e à fabricação de cerveja, uma grande lareira, os azulejos do inicio do século passado em tons de azul, os quadros de parede de alguns pintores de relevo bem como uma tapeçaria de grandes dimensões e beleza na parede da sala principal. Outro aspecto importante que me chamou a atenção: o fardamento do pessoal do Gambrinus está de acordo com a hierarquia na organização, bem como pela “especialização” a que correspondiam e, neste caso, estou a lembra-me dos chefes de vinhos e/ou “escanções” e que estavam bem identificados. Outro “pormenor” que reparei e que não é tão “normal quanto tudo isso”: não havia troca de palavras em tom “audível” entre TODO o pessoal e, se um colega ou um chefe pretendia chamar a atenção de outro, o fazia de forma a que os clientes raramente se apercebiam.
Foi neste ambiente que, como disse atrás, fiz a minha “estréia” no Gambrinus.


Outro “show” é a “carta” do que podemos pedir para a nossa refeição com as devidas sugestões e indicações dos pratos considerados “especialidade recomendada” ou aquele prato “exclusivo” que você só encontra ali mesmo no Gambrinus. Das carnes ás aves excelentes e suculentas, dos peixes aos mariscos de enorme frescura e qualidade, tudo se encontra à nossa disposição.

Mas não foi só “isso” que passei a encontrar daí em diante “naquela maravilha”. Gente maravilhosa como o Dario, o Chico, o Dias, o Fernando, os senhores Jaime, Armindo e Sobral (já falecido), o pessoal do escritório (a Dona Odete), o Martinho “Calotas” (também “precocemente” desaparecido...), o Zé... tudo “gente fina”, muito querida e que me acolheram sempre com enorme simpatia e amizade. Com eles conversei horas e horas a fio e, com todos eles, eu aprendi tantas e tantas coisas daquela profissão, da organização complexa que é (era?) o Gambrinus e...
não só...!!!

Comi lá “iguarias” como NUNCA mais, certamente, irei comer na minha vida. Lembro a SOPA RICA DE PEIXE, o Empadão de PERDIZ, as angulas, TODO o MARISCO (sem exceções...), as GAMBAS Al ajillo, Eisbein com Choucroute, a Costeleta de Novilho, os Peixes (o Cherne, ihhhh)... MEU DEUS...!!!


Maravilha mesmo era quando eu lá chegava na altura da refeição do pessoal no 1º andar e a convite do meu cunhado, Fernando (Sócio e Chefe de Mesas), comia com eles aquelas comidas saborosas. Ahhh...aquela cabeçorra de Pescada...hummm... espetáculo... !!!

Naqueles tempos, finais dos anos 60, só o Tavares Rico (curiosamente localizado na mesma rua) “rivalizava” em classe, no tipo de público, nas ementas e na qualidade de serviço com o Gambrinus.

Há imenso tempo que não volto lá. Não sei, sinceramente, mas acredito que quem está neste momento a gerenciar o Gambrinus e que julgo ser o senhor Armindo Seoane, continuará a manter a QUALIDADE e a ARTE de SERVIR BEM e de BEM SERVIR.

Para TODOS aqueles que passaram pelo Gambrinus e que “acrescentaram” algo de “seu” no interesse do “coletivo” e, também, pela forma como sempre fui recebido e tratado naquela “casa”, deixo aqui expresso o meu mais SINCERO MUITO OBRIGADO.

Ao meu cunhado Abelardo (Fernando, como era chamado e conhecido...!) e que o “destino quis” por vários motivos, um dia, nos separar, deixo um forte ABRAÇO e o agradecimento por TUDO quanto me ensinou, de tudo quanto me deu em termos afetivos e materiais e dizer-lhe que foi, é e será sempre um dos meus “Heróis”. O Gambrinus “tinha muito dele” e ele “tinha muito de Gambrinus... a “simbiose” era perfeita...!!! Foi um dos meus melhores Amigos, senão mesmo o MELHOR e continuo a guardá-lo e a recordá-lo intensamente no meu coração.
Pra SEMPRE, Fernando...!!!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Setúbal, Princesa do SADO


Nasci em SETÚBAL nos anos 50 e logo, aos dois anos de idade, me separei dela para ir viver na numa das margens do Tejo (Almada). 40 kWs de distância, nessa altura, era uma distância difícil de vencer até porque, a questão econômica, ditava as suas leis. Mas, mesmo assim, normalmente ia lá passar o mês de Agosto de férias e, de quando em vez, lá voltava com o meu pai e amigos dele (todos SETUBALENSES de “alma e coração”...) para assistir aos jogos do “nosso” Vitória F.C.

Quis o “destino” que tivesse retornado 9 anos depois. Finalmente, estava em “casa”, na “minha casa” e aí continuei os meus estudos e iniciei a minha vida no mundo do trabalho. Algum tempo depois, aos 20 e poucos anos, de lá saí novamente para ir até Angola (2 anos, sensivelmente...) para cumprir o serviço militar obrigatório. Mesmo assim, nesses 2 anos, fui a Setúbal 2 vezes para “matar as saudades” da família e da “minha cidade”.

Posso acrescentar que Setúbal teve um enorme “boom” nos início dos anos 60 com a construção de diversas unidades fabris, com especial realce para as empresas de montagem de veículos automóveis. Setúbal passou, em pouco tempo de 50/60 mil habitantes para o “dobro”, pessoas vindas nomeadamente do Alentejo e, muitas delas, para trabalhar naquelas indústrias emergentes. Isso modificou e muito o dia-a-dia do Setubalense que, até então, vivia essencialmente da pesca, das fábricas de peixe e das frutas (especialmente a “célebre” laranja) que eram uma riqueza de sabor e qualidade. Setúbal era, então, um modelo de “cidade limpa” e de gente simples, generosa e trabalhadora.

Salazar governava e os seus governos não viam com “bons olhos” toda a margem sul do Tejo. Ali, começaram a afluir, os trabalhadores “mais politizados” e, alguns, “militantes” de partidos de esquerda, nomeadamente do ilegalizado Partido Comunista. Os Sindicatos dos Trabalhadores começaram a ser “mais” vigiados e, mesmo nas fábricas, os trabalhadores eram detidos pela Polícia Política (PIDE/DGS) por “atentarem contra a unidade do Estado”. A vila do Barreiro e a cidade de Setúbal começaram a ser “alvos” do despotismo e da barbárie. Numa das fábricas de montagem de automóveis, a IMA, com cerca de 800 trabalhadores (onde eu me incluía...) começaram a “acontecer” paragens durante as horas de laboração... o “ambiente” laboral/político aquecia e os trabalhadores eram “abordados” pela Polícia Política com demasiada freqüência...!!!

O 25 de Abril de 1974 aconteceu “quase naturalmente”, depois de “algumas sérias ameaças” de derrube do regime vindos de setores de extrema-direita e outras de setores progressistas, nomeadamente de de alguns militares das Forças Armadas, descontentes com o regime por motivos profissionais e “não só”...!!! Triunfou a “democracia”... felizmente...!!!

Fiz esta “paragem” a falar da minha cidade de Setúbal para vos poder “situar” nos acontecimentos políticos e na forma como o Distrito de Setúbal foi IMPORTANTE na “resistência ao FASCISMO”. A verdade é que, não sei por que “carga d’água”, este Distrito tem sido em DEMOCRACIA, o Distrito menos “bem visto” pelos Governos de Portugal e, nomeadamente, pelos Governos de Centro-Esquerda e “tem estagnado” fortemente no seu desenvolvimento social, econômico e cultural em relação à maior parte dos outros Distritos. A “fome” também não é palavra vã para muitos dos seus cidadãos...!!!

Até há muito pouco tempo (2 anos atrás...) vivi, casei, fui pai e trabalhei na minha cidade. Tenho a felicidade de receber aqui no Brasil, no interior de SP, da Câmara Municipal de Setúbal, tanto pela Internet como pelo Correio, notícias da minha cidade. Sou um Português interveniente na realidade Brasileira, mas também não descuro NUNCA o que se passa a par-e-passo, na minha cidade de Setúbal e no meu Portugal.

Saudades...?! Muitas...!!! Da Cidade, das pessoas, da Família, dos Setubalenses, do meu Vitória, do Sado (o “nosso/meu” Rio Azul), do peixe fresco (fresquíssimo...”a saltar”...!), do mercado Municipal, dos queijinhos de ovelha e de cabra, dos Pasteis de Nata, das Tortas de Azeitão, do vinho Moscatel... querem mais...?!

Mas há “algo” que me “marca” muito e que é bem o símbolo de Setúbal e dos Setubalenses e que, com SAUDADE, quero aqui RECORDAR para TODOS VÓS e que é a letra da música “Rio Azul” -adotada pela Cidade- como “verdadeira Embaixadora” do “sentir” das gentes da “minha Terra”:


Setúbal, eu tenho pena
de não te poder cantar.
Tu és mote de um poema
que ninguém pode ensinar

Se há beleza em qualquer lado
se valesse algum dinheiro
com a princesa do Sado
comprava-se o mundo inteiro


Onde é que existe um rio azul igual ao meu
que em certos dias tem mesmo a cor do céu,
minha cidade é um presépio é um jardim
queria guardá-la inteirinha só para mim.


Setúbal terra morena
onde tudo fica bem,
tens a beleza serena
do rosto de minha mãe.

Ó rio Sado de águas mansas
que pró mar vais a correr,
não leves as minhas esperanças
sem esperanças não sei viver.



Amo-te SETÚ
BAL... !!!

Só espero que os Políticos te comecem a “entender” e te proporcionem um Futuro bem melhor... !!! Pergunto aos Políticos: que “mal” vos fizeram ou fazem os habitantes da cidade, que “mal” vos fez ou faz a Cidade do Sado, que “mal”... ?! ...

Um abração do tamanho do... Brasil.




E não se esqueçam Setubalenses: “lutem”, “lutem” SEMPRE...!!! Com os “olhos” no Futuro mas relembrando SEMPRE, SEMPRE um passado "heróico"...!!!

Até “qualquer dia”, “minha” Cidade.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Dear Father




Querido PAI:



a "nossa" vida -cada um à sua maneira - tem sido mais que uma tempestade, talvez um tornado.

Nunca vivemos muito tempo juntos e nem saboreámos o prazer que, pai e filho, podiam obter de uma vida em comunhão total.

"Deixámo-nos" muito cedo ou, então, "nunca nos tivémos" verdadeiramente.

Perdemos, cada um a seu modo, um rumo e porto seguro de chegada. Pelo caminho, de ambos, se ficaram sonhos, alegrias, comprometimentos e sobraram amarguras, desilusões e "palavras sem sentido".

Ficámos com um "deve" e um "haver" muito altos. Os dois.

Hoje é dia do seu aniversário e já não estamos um com o outro (alguma vez "estivémos"...?!) há "demasiado" tempo... !!! Vidas "desencontradas", certamente... ou talvez não... !!! Esteja onde estiver e com quem estiver eu desejo que este 9 de Fevereiro se repita sempre e que a "amargura" que sinto de não o poder abraçar se torne na alegria com que eu queria o ver neste dia.

83 anos é uma vida já longa e eu nem sei como está nem onde está.

Triste, não é,
PAI JOAQUIM... ?!


09FEV09

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O imperfeito (1*)


Nasceu no seio de uma família de fracos recursos econômicos. Sua mãe era doméstica e seu pai era gerente comercial em hotelaria na cidade de Lisboa. Uma irmã e duas tias (uma delas, entretanto casara e saíra para a sua própria casa...) compunham o agregado familiar. Cedo começou a viver alguns “dramas” familiares e confrontou-se com o semi-abandono da casa por parte de seu pai. Só podia ser por haver outra mulher –que não sua mãe- na vida dele. A casa tornara-se mais triste e com menos recursos. Ele estudava na escola primária e sua irmã abandonara os estudos, por não gostar mais de estudar e tinha começado também a enfrentar o mundo do trabalho. Sua mãe tinha ficado mais e mais doente e enfrentava, anualmente, uma crise nervosa que a levava a uma terapia então conhecida como “choques elétricos” num Hospital Psiquiátrico (de “nervos” como a “ditadura” chamava ao “palavrão” Psiquiátrico) na capital. Sua adolescência não lhe tinha dado motivos para grandes encantos nem para grandes cometimentos. Cursara depois o ensino secundário com “relativo” êxito. Pelo menos, tinha-o terminado. Fora então, “convidado” pelo seu pai para também começar a trabalhar para ajudá-lo no “orçamento familiar” (leia-se: ele “cortava” e o filho e a filha “repunham”...). Sua irmã começara, entretanto, a namorar “sério” um homem espetacular e aí começou a visitar e a freqüentar lugares que nunca tinha tido nem teria, certamente, oportunidade de conhecer. Tinha-se tornado um “amigo inseparável” do casal e isso tinha-o feito sentir “mais amado” e “mais gente”....!!!

(*Continua...)